quinta-feira, dezembro 07, 2006

"(As pessoas).Quanto menos as vejo,mais gosto delas."
"Dou duas voltas no quarteirão,encontro 200 pessoas e não vejo nenhuma criatura humana. Olho na vitrine das lojas e não há nada que me interesse.No entanto,tudo tem preço. Uma guitarra,ora,porra,pra que me serve uma coisa dessas?Só se for pra tacar foto.Toca-discos,tevê,rádio. Tralha inútil.Bugiganga imprestável.Um troço pra embrutecer o cérebro. Como soco com luva vermelha de 200 gramas. Popt. Te derruba no chão."
"Nada estava em sintonia,nunca.As pessoas vão se agarrando às cegas a tudo que existe: comunismo,comida natural,zen,surf,balé,hipnotismo,encontros grupais, orgias,ciclismo,ervas, catolicismo,halterofilismo,viagens,retiros,vegetarianismo,
Índia, pintura,literatura,escultura,música,carros,mochila,ioga,cópula,jogo,bebida,
andar por aí,iorgute congelado,Beethoven,Bach,Buda,suicídio,roupas feitas à mão,vôos à jato,Nova Iorque,
e aí tudo se evapora,se rompe em pedaços.
As pessoas têm que achar o que fazer enquanto esperam a morte.
Acho legal ter uma escolha."

quarta-feira, novembro 29, 2006

A convivência harmoniosa te leva para o céu-ou seja-para lugar nenhum. !!!!!!!!!!

domingo, novembro 26, 2006

E minhas próprias coisas eram tão más e tristes, como o dia em que nasci. A única diferença era que agora eu podia beber de vez em quando, apesar de nunca ser o suficiente. A bebida era a única coisa que não deixava o homem ficar se sentindo atordoado e inútil o tempo todo. Tudo mais te pinicando, te ferindo, despedaçando. E nada era interessante, nada. As pessoas eram limitadas e cuidadosas, todas iguais. E eu teria que viver com esses putos pelo resto de minha vida, pensava. Deus, eles todos tinham cus, e órgãos sexuais e suas bocas e seus sovacos. Eles cagavam e tagarelavam e eram tão inertes quanto bosta de cavalo. As garotas pareciam boas à distancia, o sol provocando transparencias em seus vestidos, refletido em seus cabelos. Mas chegue perto e escute o que elas tem na cabeça sendo vomitado pelas suas bocas. Você ficava com vontade de cavar um buraco sobre um morro e ficar escondido com uma metralhadora. Certamente eu nunca seria capaz de ser feliz, de me casar, nunca poderia ter filhos. Mas que diabo, eu nem conseguia um emprego de lavador de pratos.


01:38 porque somos todos uns fodidos.

sexta-feira, outubro 20, 2006

(...)"só estamos de acordo com o mundo se estamos em desacordo conosco mesmos, o absurdo é o divino"(..)


"Invejo - mas não sei se invejo - aqueles de quem se pode escrever uma biografia, ou que podem escrever a própria. Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro indiferentemente a minha autobiografia sem factos, a minha história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas nada digo, é que nada tenho que dizer. Que há-de alguém confessar que valha ou que sirva? O que nos sucedeu a toda a gente ou só a nós; num caso não é novidade, e no outro não é de compreender. Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância."

Livro do desassosego-Fernando Pessoa

sexta-feira, setembro 29, 2006

A morte era tão chata. Isso era o pior sobre a morte. Era chata. Assim que acontecia, não se podia fazer nada. Não se podia jogar tênis com ela nem transformá-la numa caixa de bombons. Estava ali,como um pneu furado. A morte era estúpida.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Tudo me interessa e nada me prende.Atendo a tudo sonhando sempre; fixo os mínimos gestos faciais com quem falo, recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos; mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa, e o que menos colhi da conversa foi a noção do que nela se disse, da minha parte ou da parte de com quem falei.Assim, muitas vezes, repito a alguém o que já lhe repeti, pergunto-lhe de novo aquilo a que ele já me respondeu; mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas, o semblante muscular com que ele disse o que me não lembra,ou a inclinação de ouvir com os olhos com que recebeu a narrativa que me não recordava ter-lhe feito.

sábado, setembro 02, 2006

_Você gosta de Júpiter?
_Gosto.Na verdade

"desejaria viver em Júpiter
onde as almas são puras
e a transa é outra."*

_Que é isso?
_Um poema dum menino que vai morrer.
_Como é que você sabe?
_Em fevereiro.Ele vai se matar em fevereiro.
_Hein?

silêncio.

_Você tem um cigarro?
_Estou tentando parar de fumar.
_Eu também.Mas queria uma coisa nas mãos agora.
_Você têm uma coisa nas mãos agora.
_Eu?
_Eu.

silêncio.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Eu vinha pensando numa porção de coisas quando.
_Que coisas?
_Que coisas o quê?
_As que você vinha pensando..
Então pensei nas ameixas,as ameixas,oras...

terça-feira, julho 25, 2006

voce tambem poderia me aparecer,de vez no enquando.
no mais no mais,fui dar uma volta.
no menos então,volto de tarde ao escurecer.
vou me juntando como junto estas letras,
como junto as palavras,
como formo estas frases,
preciso acreditar mais em mim.
não afirmo não haver cura.
ele a olha de forma que esconde tudo de sentimentos que explodem nele mesmo,por dentro.
mas ao escurecer,ela ganha um beijo.
de todos os beijos,eu não quero nenhum.
tomaria com você de tudo o que te chama droga,
mas quem me precisa chamou tão alto,nada vago,tão nescessário.
você,que me precisa que eu não preciso de você.
ti,que me supria que eu não supria ti.
tu,que me queria e eu que não queria tu.
já está escuro,vai anoitecer.
vou escrever ás cegas,então.
então então,venha comigo á biblioteca.
então então,vamos tomar capuccino,
no mais no mais,te espero no próximo feriado,
me espera no enquanto,juntando os cacos de nós mesmos.