quinta-feira, dezembro 01, 2016

Anônimo

Sou linda; quando no cinema você roça
o ombro em mim aquece, escorre, já não sei mais
quem desejo, que me assa viva, comendo
coalhada ou atenta ao buço deles, que ternura
inspira aquele gordo aqui, aquele outro ali, no
cinema é escuro e a tela não importa, só o lado,
o quente lateral, o mínimo pavio. A portadora
deste sabe onde me encontro até de olhos
fechados; falo pouco; encontre; esquina de
Concentração com Difusão, lado esquerdo de
quem vem, jornal na mão, discreta.

Ana Cristina C.

terça-feira, novembro 29, 2016

eu voltei pra minha pele e isso é algo tão absolutamente confortável que eu voltei a escrever, voltei a cozinhar, voltei a ler, voltei a movimentar o corpo, a corporificar o movimento. nesses tempos longos em que a gente se perde é muito louco pensar que a gente desliga do essencial, da presença última e necessária de existir num corpo único e finito. é importante que eu me lembre que não sei experimentar peles alheias sem fazer a captação máxima disso que nem sei o que é. amar ainda dói.
na terapia refaço meus métodos
revejo meus méritos
choro você.

o tempo tecnológico
o tempo mercadológico
esse tempo nada lógico,
não me satisfaz.

domingo, novembro 27, 2016

o poeta:
treina
drena
reina
em plena
absorção
do alto do prédio que é quase esquina com a rua consolação
meus tímpanos escutam os carros
os gritos
os assovios
do alto do prédio que é quase esquina com a rua consolação
meus ouvidos escutam as buzinas
os ônibus
os vizinhos
do alto do prédio que é quase esquina com a rua consolação
as minhas células escutam as ambulâncias
as janelas
os ruídos
do alto do prédio que é quase esquina com a rua da consolação
meu corpo mora surdo em são paulo

agora é quase verão
meu corpo só entende a dinâmica das praticidades pelo calor
eu nem sabia, até o inverno murchar todas as plantas e todos os dentros de mim e do mini apartamento na rua maria antônia, 2015
e aí o tempo passa junto com as folhas caindo, eu assimilando o mundo..
pensar que posso me interessar por diversas misturas étnicas me conforta.




tem um sol que entra quando é quase verão pela janela do apartamento da rua dona antônia
tem um sol que entra e beija as plantas na sacada da rua piauí
acabo de fazer uma relação com a revista e me volta à memória você esquentando água praquele chá chinês falando da vidente e do seu passado pintor iluminado
só estou registrando pra posteridade que sai algo de sua pele que a minha muito gosta,
tem um mistério no desenho alinhado de seu rosto com olhos nariz e boca/sorriso largo
no mais de tudo isso é só todo conforto de estar de volta à minha própria pele
(e que quando encosto na sua,
tudo
vira
infinito.

sexta-feira, setembro 09, 2016

AMOR:
só te cabe
se entender
esse monte de eu
em mim.
quem dera eu fosse talher
e você doce
talvez eu seja capim
e você foice
no fundo nós dois somos qualquer
tolice
num desafinar sem fim
de sanfona triste.