quarta-feira, setembro 13, 2017


Quando foi domingo:


É hoje domingo de sol, acordei cedo mas só saí da cama depois das 10h, era dia de foto com Lari então eu vesti vermelho - a gente juntas sempre fala do que sangra. Gosto dela como algo mais que fraternal, algo feminino e adocicadamente humano, porque é como eu a descreveria. doce e humana, tão humana que quase real demais pra ser real. acho que porque ela é Aquário com ascendente em Gêmeos, assim como Gil que apesar de não tão fraterno, é também amor. Assim como Maria Eugênia que é apesar de mística, crítica e cínica, fraterna e amorosa. Eu acredito tanto na astrologia que chego a ficar cega, tipo como quem se entrega à fé, não deveria. Pois hoje é domingo de sol e tomamos café nessa padaria ordinária do Higienópolis, na rua dele que ironicamente ganha o nome de um Estado brasileiro nada rico como o bairro, se bem que fico aqui eu escrevendo e concomitante refletindo sobre riqueza e acabo por sempre concluir em como tudo é paradoxal, aí denovo me recordo de que hoje é mesmo domingo de sol e de manhã falei por vídeo com fer, que é de Áries e alivia tanto meu coração de leão ele ser tanto um signo de fogo quanto um amor familiar, sangue do sangue pode ser reconfortante. No fim, hoje é domingo e estou confiantemente de vermelho, fraterna, familiar, astrologicamente crente e solar. 
Perguntou insistentemente o porque de eu nunca ter lhe feito um boquete realmente profissional, desses engole tudo. Eu olhava pra ele contra luz e observava seus gestos infantis com as expressões faciais, enquanto massageava com meus pés seu pau coberto pela cueca. Ele insistia qualquer coisa provocativa sobre eu ter preguiça de dar praZer, enquanto eu pensava no quanto as nossas peles combinavam para além de conclusões orgásticas e dizia pra agrada-lo que engoliria cada gota, quando fosse a hora. Ele pedia repete, eu repetia c a d a g o t a, quero muito sentir seu gosto, o pau ficava mais duro, eu sentindo com os dedos dos pés a firmeza e meu olhar fixado na aura que a luz fazia nos seus cabelos enquanto você abria a boca suspirando meio gemendo imaginando e eu por dentro séria por  fora balbuciando o que mais te poderia excitar e também dizia mas você não supre os meus desejos internos que vão além de conclusões orgásticas e de que vale esse jorro todo esforço esse exagero todo esse gasto? e ele respondia depois muito depois claro, depois do ato, aos 40 a paixão muda de formato, eu ainda nem 30 sabia que isso nem existia e respirava enquanto olhava o escuro do quarto, ele encaixado e ali tudo estado de presença tão completude que meditação asana pranayama virava piada, você: minha consciência alterada.

sábado, julho 08, 2017

são padrões, estou tentando dizer pra mim mesma. risco num quadro como de giz mas que só existe dentro da minha cabeça, como quem busca decifrar um mistério. são repetições, estou tentando convencer a mim mesma. alinho informações e fatos, vivências. coeficiente comum, eu nisso tudo. eles são só os espelhos, às vezes assustadoramente cruéis, às vezes absolutamente gentis, isso tudo que um humano pode comportar. cinismo toma conta de mim aqui em são paulo, e estou realmente muito cansada de esmurrar os próprios erros. eu, labirinto de mim mesma, estaca zero, busco um retorno pra um lugar que eu nem imagino qual seja, em mim.
confusa,te medito. busco significados em todos os símbolos. o universo expande e contrai, e assim se comunica comigo. confusa, me medito. recebo sinais, imagens, gestos, mitos. confusa, silencio. cavo camadas que convergem formatos múltiplos, subjetivos e também concretos. confusa, grito. meu cérebro é tudo isso que caminha junto comigo?
escrevo quando o corpo já não consegue gestuar, quando a boca não elabora entonação específica, quando a mística me mostra a mágica disso que me toma e me transpassa e vezenquando atropela. escrevo quando acho que assimilei esse tudo todo imenso tanto muito denso solto bagunçado organizado misturado, escrevo quando o pensamento se mostra enigmático e desorganizado. escrevo quando eu em mim, não me suporto. quando tantas ou mesmo tantos exalam de dentro pra fora, quando nem sempre estou ancorada nisso que sustenta a pele, nisso que apelidamos esqueleto e dele pra tudo tantos desdobramentos, escrevo quando não sei. quando sei mais que tudo, quando as certezas só querem sair pra virarem denovo incertezas, quando penso nesse você que sou eu denovo, você extensão de mim e do mais que está, do mais que só é. escrevo quando poesia e quando prosa mais ainda, quando música e enquanto dedos transportam contração relaxamento expansão retração elaboração canção quando sim e principalmente,escrevo quando não.

sexta-feira, julho 07, 2017

e perguntava: sentes ? então respondia: e o que é que deveria sentir ? a carne por dentro da pele, o barulho do esforço dos músculos carregando sangue, excremento, fluido, um sem fim de trabalho das vísceras pra que você esteja vivo, caminhante, falante, útil? não, a nuance de tudo isso, os espaços, os vazios, os conjuntos, os formatos, os silêncios entre os esforços, a potência transformadora do tubo, o eu dentro que é consequência do infinito fora, isso que é denso, completo, errante, queima dissolve espalha expulsa e repete. isso que é cíclico moldável e finito, o corpo. sentes?


se entreolhavam. sentia, sim, mas diferente. sentia embaixo, regionalmente, isso que na mulher chamamos de região do útero, no homem é o que? períneo, ânus, genital, sentia sim, sentia como imã, era magnético e pulsava. mais quando pensavam um no outro, mais ainda quando se encostavam. sentia quando se penetravam, e iam além. além disso que tentamos significar com textos, disso que buscamos pontuar nas palavras. sentiam invisível, sentiam microscopicamente, ou nem isso, algo que não se toca, mas parece tão palpável que o desejo se transfigura em pensamento que se transforma em sentimento e disso gesto, disso encontro, de tudo isso, toque. sentia como nunca, talvez porque o sentir é coisa construída, projetamos o sentir? e aí teorias, propostas, escrituras, e dentro barragem, pedregulho caminho limite e medo. medo do que, perguntava-se, e a si mesmo respondia: medo do que não explicamos. medo de tudo, então? medo daquilo que nem as letras nem as palavras nem as frases nem os textos ou livros nem mesmo os estudiosos nem religiosos explicam. medo do invisível metabólico bioquímico do dentro. que quando fora, você.

quarta-feira, julho 05, 2017

mas que porra será isso que você significa que eu não consigo entender ver ou aceitar?
mais ou menos assim: hoje eu escolhi um look tom sobre tom, mais especificamente bege com branco, sei que você repara nas cores e nas composições todas, quase como linguagem. E depois faz disso poesia impressa. Te vejo às veZes assim. Escolhi cor clara porque hoje fez um sol lindo em Copacabana, e eu pensei denovo em você. Eu fico querendo deixar você combinar só com São Paulo, com o nosso bairro,e esquecer quando me deslocar e mudar de direção, e de fato mudo, mas não da nossa, e dá mais saudade. Queria que isso fosse uma carta, mas vai chegar de maneira tão rápida que vai parecer pequeno, descartável como tudo tem sido no mundo, como talvez a gente pareça, mas não pra mim. E no fundo é por isso que escrevo, queria pontuar posteridade, apesar de ser bobeira, porque no fim, tudo é um pouco expresso, né ? o fluxo aqui é outro, mesmo sendo cidade, e eu adoro. Adoro o barulho do mar com os carros, todo mundo se movendo junto... saudade do seu cheiro beijo jeito gesto corpo colo peito cabelo pele textura pau. mas acima de tudo, das suas mãos e da sua entrega inteira intensa quando juntos. só queria dizer. ( 6 - 5 - 2017, G)
te silenciei com a tecnologia
mas da minha biologia









não.

terça-feira, junho 27, 2017

ele disse
que eu era
muito real
e não cabia
no seu mundo
de fantasia
nem tinha amor
pra me oferecer
porque ele estava
viciado
em ficar
entediado
de futilidades
e de toda a mentira
que as pessoas
ao seu redor
estampavam.