segunda-feira, janeiro 30, 2017

segunda:

pão de queijo no forno
a porta pintei de amarelo
prometi não insistir no que não troca/volta
às vezes todo mundo peca
as plantas sabem de tudo
Minas não sai de mim.
urbana:

muito tudo no ir e vir
enquanto criamos todos os nossos caminhos
são paulo toda abarrotada do todo,
esvazio.
telepatia


me pego pensando em você
silencio
te pegas pensando em mim
silencias

no invisível do todo,

sabemos.

domingo, janeiro 29, 2017

temos na pele a possibilidade de absorção do tudo, e temos o vento interligando o todo.
domingo na pele;

rebeca pela voz logo cedo, doçura
meu corpo todo móvel, ternura
gil, vinho rosé e a coisa corpos



são paulo e o sol

quinta-feira, dezembro 01, 2016

Anônimo

Sou linda; quando no cinema você roça
o ombro em mim aquece, escorre, já não sei mais
quem desejo, que me assa viva, comendo
coalhada ou atenta ao buço deles, que ternura
inspira aquele gordo aqui, aquele outro ali, no
cinema é escuro e a tela não importa, só o lado,
o quente lateral, o mínimo pavio. A portadora
deste sabe onde me encontro até de olhos
fechados; falo pouco; encontre; esquina de
Concentração com Difusão, lado esquerdo de
quem vem, jornal na mão, discreta.

Ana Cristina C.

terça-feira, novembro 29, 2016

eu voltei pra minha pele e isso é algo tão absolutamente confortável que eu voltei a escrever, voltei a cozinhar, voltei a ler, voltei a movimentar o corpo, a corporificar o movimento. nesses tempos longos em que a gente se perde é muito louco pensar que a gente desliga do essencial, da presença última e necessária de existir num corpo único e finito. é importante que eu me lembre que não sei experimentar peles alheias sem fazer a captação máxima disso que nem sei o que é. amar ainda dói.
na terapia refaço meus métodos
revejo meus méritos
choro você.

o tempo tecnológico
o tempo mercadológico
esse tempo nada lógico,
não me satisfaz.

domingo, novembro 27, 2016

o poeta:
treina
drena
reina
em plena
absorção
do alto do prédio que é quase esquina com a rua consolação
meus tímpanos escutam os carros
os gritos
os assovios
do alto do prédio que é quase esquina com a rua consolação
meus ouvidos escutam as buzinas
os ônibus
os vizinhos
do alto do prédio que é quase esquina com a rua consolação
as minhas células escutam as ambulâncias
as janelas
os ruídos
do alto do prédio que é quase esquina com a rua da consolação
meu corpo mora surdo em são paulo