quarta-feira, maio 06, 2015

é tanta coisa de pensamento que a cabeça vai sintetizando.. acho bem louco isso de ir assimilando as percepções todas a cada segundo do mundo todo dentro da gente e fora, e essa perspectiva de que são abismos, coisas totalmente diferentes o dentro e o fora. é a mística permeando tudo, coisas que enxergamos e também não. eu estou perplexa diante da realidade de que disposição não é o mesmo que disponibilidade. .. "Não posso aturar comigo nem posso fugir de mim.." então aí posso perceber que isso do amor tem haver com a minha necessidade pessoal de que o outro preencha os meus buracos, enquanto eu preciso sem saber muito como, preencher os buracos desse outro também. acho que os conflitos surgem a partir do momento em que tá todo mundo esburacado e sem conteúdo pra tapar o alheio, entende?
e eu que odeio cidades, que me sinto deslocada a cada tentativa de encaixe nesse molde social imposto,acabei voltando pra cá, a maior do meu país, uma das maiores do mundo, parece um castigo, ter que cumprir mais missão nessa dinâmica que aqui se apresenta.. E pensar que é tudo escolha nossa..Onde conheci a teoria de saúde, a utopia do equilíbrio, onde encontrei os piores tipos de seres humanos que já pude esbarrar, os mais cruéis, ranzinzas, ocos e doentes, muitos maquiados de zen, yoguis, evoluídos.. E também reencontrei os melhores, mais solidários, sensíveis, amáveis... são paulo é esse lugar mais do ódio que do amor com toda a certeza, porque no concreto não temos capacidades orgânicas de nos conectarmos, mesmo com tanta tentativa, com tanta vontade de parecermos conscientes, na cidade somos meros animais selvagens, raivosos, sobreviventes, como na selva. não é atoa o apelido "selva de pedra". Então na selva natural somos tão bichos quanto na selva de pedra, ou seja, não tem pra onde fugir. Bicho nascemos bicho somos

terça-feira, abril 28, 2015

noite passada sonhei que ogum me presenteava com uma espada. kleber me entregava a espada. 
ganhei cama nova, acendi um drum e tenho tentado olhar mais pro céu
A cidade nos consome por inteiro

sexta-feira, março 27, 2015

eu hoje de manhã comendo pitaia pensei no sopro que é a vida,
Na frase bíblica amai-vos uns aos outros,
Nos rios de agua doce que percorrem o norte do país,
E nas cachoeiras de Minas.
hoje de manhã pensei nas minhas raízes,
Nos laços que tecemos e desatamos todos os dias
Nas atitudes mínimas que nos levam a consequências máximas
Hoje de manha pedi clareza
Serenidade, caminho, leveza
Pensei nas pautas políticas que rolo diariamente no mural coletivo
Pensei em silêncio que já passou esse segundo esse milésimo esse sopro
Pensei presença. 
Axé pra nova estrela que brilha no céu, porque não aguentou o fardo do cotidiano.
Axé pra gente que fica. Respiremos.

segunda-feira, março 23, 2015

É quase um ensaio
Acho que tem haver com o outono
A vizinha mais próxima da janela do quarto é uma árvore
Às vezes eu coloco a cabeça pra fora e faço perguntas
O vento ajuda a responder algumas,
Outras acho que espalham
Rolei o muro de faces
Chocada com as dançarinas da ucrania
Mais chocada com as notícias da vida dos outros
Mais um espirro
A gripe chegando me mandando ficar quieta
Lembrei da abóbora na cozinha
Escrevi pra minha bruxa preferida
Play no racional do tim

domingo, março 15, 2015

quinze de março de dois mil e quinze
acordei na cama de outrem
gosto do cheiro dos outros em mim
tive um domingo pacato silencioso
pôr do sol me faz lembrar que respirar é.
e eu sigo sendo. 
o vizinho escuta um samba baixinho
parece clara nunes
eu observo junto às plantas o pôr do sol
corpo leve de domingo
roupas leves de dormir
dormingo

domingo, março 01, 2015

pensei minhas tripas
pensei suas tripas
pensei misturadas

manhã de domingo e os meus cabelos estão limpos
escuto a conversa dos pássaros, estive ontem com uma feiticeira pássaro
deixo uma fresta aberta e o sol penetra devagar
ainda tenho na boca o cheiro de um certo homem 
isso dos encontros não é coisa simples.
é domingo cedo e o meu sistema digestivo funciona bem
o corpo ainda rígido dos giros e conquistas musculares
observo o todo e todo o jeito que o mundo se comunica
entramos em março e eu sigo sendo marinheira desse oceano de nada com positividade