terça-feira, março 14, 2017

eu me rendi à mística
significados são coisas bem inúteis em sua maioria
silêncio explica todo o resto
tem um tudo que coexiste
a gente vai reelaborando de acordo com nossos próprios confortos
não sei se tem outro caminho
nesse tom:
toda
conclusão
é
uma
limitação.


(no português:
1.tratado ou estudo de coisas divinas espirituais
2.vida contemplativa
3.conjunto de práticas conducentes ao êxtase
4.atitude coletiva afetivamente assente na devoção a uma ideia, uma causa,uma personalidade, um clube, etc.
5.adesão entusiástica aos grandes valores, a princípios ideais
6.fanatismo.)
ainda sobre o amor:

isso tudo é muito imprevisível
lembrei que não controlo nada
beijo com choque
corpo novo trazendo outras novas sensações
possibilidades
preenchimento
tesão
desfixei
penso ainda naquele outro,
um pensar distante
acho que bloqueei
não respondi as últimas,
respirei
saudade
mental
leveza
física
vem
o
que
tem
pra
vir.

sexta-feira, fevereiro 03, 2017

mais ou menos final de junho de 2014, você veio tirar tarot pra mim, eu sem grana peguei emprestado, te paguei com cheque alheio, senti sua densidade do portão de fora, a casa nem era minha, eu não tinha nem roupas direito, totalmente à mercê. eu lembro de alguma vizinha ensaiando ópera enquanto você lia nas cartas que chegava um amor "imenso, líquido, pra subjulgar o ego", eu claro não entendia muito, gostava de um cara desses últimos que nem aí, tava de mudança pra Minas, só queria viver perto das plantas e da leveza, como se meu dentro fosse a mesma coisa. aí você dizia que eu era terra mas tava terra demais, tava bloco de terra nos pés, sem ver caminho, eu ia buscando absorver as palavras, preocupada com a vela que queria apagar do vento, um vento não tão gelado como esse de agora, que entra pela janela enquanto fumo meu cigarro e penso em você, nisso, no mundo, olhei ao redor do que agora chamo de minha casa, luz baixa, várias plantas sim, flores também, um colorido no espaço, eu colorida por dentro, achando minha própria leveza, achando meus alimentos nutritivos não só na comida e enfim, agradecendo. agradecendo porque a vida sempre foi bela pra mim, mesmo quando feia, mesmo quando dura, difícil, bloco de terra compacto dificultando os passos, meu caminhar tem ganhando ângulo, você com a liberdade mais presa que já conheci, me ensinando desde então as subjetividades nos gestos, a poesia do estar viva, a poesia mesmo na tristeza que a gente compactua vivendo na cidade grande, pouco ar puro, ser humano decadente e ainda assim, poesia, ainda assim leveza, ainda assim vento gelado que conforta, água que irriga, desfixa, abre espaço e com isso, caminho. amor que ensina, qualquer amor vale a pena, mesmo o que não vale, qualquer corpo tem um conhecimento único e possível de ser entendido, possível de ser ensinado, passível de ser comungado, eu frescor interno mas ainda tem aquele alarme de não deixar ser tomada pela pressa, pelo automatismo evidente, vigente, exigente de estar viva, e lembrar que sim estou viva, vibro junto com isso tudo que vivo também está, esse todo, eu dizia, tem um todo não tem? e se tem um todo eu sou parte, você é parte, estamos aqui, não é isso, que no final, importa?

segunda-feira, janeiro 30, 2017

segunda:

pão de queijo no forno
a porta pintei de amarelo
prometi não insistir no que não troca/volta
às vezes todo mundo peca
as plantas sabem de tudo
Minas não sai de mim.
urbana:

muito tudo no ir e vir
enquanto criamos todos os nossos caminhos
são paulo toda abarrotada do todo,
esvazio.
telepatia


me pego pensando em você
silencio
te pegas pensando em mim
silencias

no invisível do todo,

sabemos.

domingo, janeiro 29, 2017

temos na pele a possibilidade de absorção do tudo, e temos o vento interligando o todo.
domingo na pele;

rebeca pela voz logo cedo, doçura
meu corpo todo móvel, ternura
gil, vinho rosé e a coisa corpos



são paulo e o sol

quinta-feira, dezembro 01, 2016

Anônimo

Sou linda; quando no cinema você roça
o ombro em mim aquece, escorre, já não sei mais
quem desejo, que me assa viva, comendo
coalhada ou atenta ao buço deles, que ternura
inspira aquele gordo aqui, aquele outro ali, no
cinema é escuro e a tela não importa, só o lado,
o quente lateral, o mínimo pavio. A portadora
deste sabe onde me encontro até de olhos
fechados; falo pouco; encontre; esquina de
Concentração com Difusão, lado esquerdo de
quem vem, jornal na mão, discreta.

Ana Cristina C.

terça-feira, novembro 29, 2016

eu voltei pra minha pele e isso é algo tão absolutamente confortável que eu voltei a escrever, voltei a cozinhar, voltei a ler, voltei a movimentar o corpo, a corporificar o movimento. nesses tempos longos em que a gente se perde é muito louco pensar que a gente desliga do essencial, da presença última e necessária de existir num corpo único e finito. é importante que eu me lembre que não sei experimentar peles alheias sem fazer a captação máxima disso que nem sei o que é. amar ainda dói.